curtains raising
Grande Grenouille
sim, ele era o grande grenouille! agora isto se demonstrava. ele o era, como outrora em suas fantasias narcisistas, agora ele o era na realidade. vivia nesse momento o maior triunfo da sua vida. e esse momento se tornou horrível para ele.
tornou-se terrível para ele, pois não pode gozar um segundo dele. no momento em que, saindo da carruagem, pusera o pé na praça iluminada de sol, impregnado do perfume que o tornava amado pelas pessoas, o perfume que ele desejara possuir ao longo de toda sua vida… nesse momento em que via e cheirava o efeito irresistível que provocara e, como, espalhando-se com enorme rapidez se apoderava das pessoas ao seu redor – nesse momento ressurgiu nele todo o seu nojo ante os seres humanos e conspurcou de tal modo o seu triunfo que não sentiu mais nenhuma alegria, nem sequer o menor sentimento de satisfação. o que ele sempre havia desejado, ou seja, que as outras pessoas o amassem, tornava-se, no instante do seu êxito, insuportável, pois ele mesmo não as amava, mas as odiava. e de repente soube que jamais encontraria satisfação no amor, mas tão-somente no ódio, no odiar e ser odiado.